domingo, 18 de janeiro de 2026

“EIS O CORDEIRO DE DEUS, QUE TIRA O PECADO DO MUNDO”

 


Ecce Agnus Dei, qui tollis peccata mundi  - “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Essa frase é muito conhecida pelos cristãos, sobretudo pela narração do evangelista João, e foi pronunciada pela primeira vez por João Batista quando avistou Jesus. Essa mesma frase é repetida em todas as missas, e não é por acaso: seu significado é profundamente teológico e está diretamente ligado à essência da fé em Jesus Cristo.

Quando falamos em Jesus e em João Batista, geralmente nos recordamos do episódio do Batismo no rio Jordão. Nele, encontramos a confirmação de que Jesus é o enviado pelo Pai para a missão de santificar o mundo. No rito do batismo, temos tanto o ato de batizar com a água quanto a unção com o óleo como sinal de confirmação. No caso de Jesus, é João quem batiza, mas é o Pai quem unge, confirmando ao dizer: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus o meu bem-querer” (Mt 3,17).

No Evangelho segundo Lucas[1], é narrado que Jesus, tomando as Escrituras, proclama: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu [...]” (Is 61,1). Essa leitura não foi uma simples coincidência, mas o anúncio público da confirmação feita pelo Pai durante o batismo no Jordão. Jesus é o escolhido e ungido do Pai, mas qual é a sua missão? Sua missão está no apontamento de João Batista: Ele veio ao mundo para ser o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.

A figura do Cordeiro tem grande significado na teologia bíblica e na espiritualidade litúrgica. Não se trata de um simples animal oferecido em sacrifício, mas de um símbolo cuja profundidade ultrapassa o tempo e a realidade. No Antigo Testamento, várias vezes encontramos o cordeiro presente nas liturgias do povo de Israel: o cordeiro expiatório[2], o cordeiro como sinal da Aliança[3], o cordeiro cujo sangue é aspergido sobre o povo como sinal de uma nova aliança e de purificação dos pecados[4]. Todos esses elementos são prefigurações do verdadeiro Cordeiro, aquele que é imaculado e que, na Cruz, é oferecido de uma vez por todas como vítima de expiação para a salvação do mundo.

No aramaico, a palavra cordeiro é pronunciada talya, que significa “servo”. Esse termo se enquadra perfeitamente em Jesus Cristo, que é o Servo Sofredor anunciado pelo profeta Isaías[5]. Como servo obediente à vontade do Pai, Ele se entrega totalmente. Na profecia de Isaías[6], as palavras do Senhor são direcionadas a Israel, mas, por analogia, também as atribuímos a Jesus, o Messias, o novo Israel: “Tu és o meu servo, em quem serei glorificado” (Is 49,3). É em Cristo que está a glorificação do Pai, não por mera manifestação a um pequeno grupo ou povo, mas para todas as nações. Assim como, na manjedoura, o Pai é manifestado por meio de Jesus a todas as nações através da figura dos magos (Epifania)[7], a pessoa e a vida de Jesus são luz para as nações, para que a salvação chegue até os confins da terra.

Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: quem é Jesus? Ele é o Cordeiro, o Servo; o Cordeiro que se torna Servo e o Servo que se torna Cordeiro. Aquele que carregou sobre si todas as nossas dores e enfermidades[8], ou seja, é Ele quem tira o pecado do mundo, pecado esse que nos foi deixado por nossos primeiros pais, Adão e Eva[9]. Se, pela desobediência, estávamos afastados de Deus Pai, pelo sacrifício e pelo sangue do Cordeiro, Servo obediente, fomos reabilitados para viver em Deus. Como diz São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios[10], fomos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos, pois, no sacrifício redentor da Cruz, “fomos lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro” (1Pd 1,19).

A imagem do Cordeiro imolado não é a de um animal morto, nem a de um Cristo morto, como muitos afirmam ao olhar para um crucifixo, mas a imagem do Cordeiro triunfante nos Céus[11], participante da glória do Pai, que, pelo seu sacrifício, também nos eleva a tão grandiosa participação. Como mencionado no início desta reflexão, a frase “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” é repetida pelo sacerdote em todas as missas, pois, sendo a Sagrada Comunhão a participação no sacrifício de Cristo, é-nos solenemente anunciado que a vítima oferecida não é mais a do Antigo Testamento, que necessitava de novos sacrifícios, mas o Cordeiro imaculado que comungamos na Santíssima Eucaristia. Ele é o mesmo Servo obediente que se ofereceu no altar da Cruz ao Pai pela nossa salvação e permanece conosco vivo e ressuscitado na Palavra de Deus, na vida da Igreja e na Hóstia consagrada, alimento da salvação, mistério da nossa fé.

 



[1] Lc 4, 18-19.

[2] Lv 14.

[3] Ex 12, 6-7.

[4] Ex 24, 8; Mt 26,27.

[5] Is 52,13-53,12.

[6] Is 49, 3.5-6.

[7] Mt 2,11.

[8] Is 53, 4-5.

[9] Gn 3.

[10] 1Cor 1,1-3.

[11] Ap 5, 6-14.

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Fonte da imagem: 79044a6e4f0ce210c7f060610f261a9f.jpg (736×1104) 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

EU ACREDITEI NO AMOR...

 


Eu acreditei no amor...
No amor ideal,
No amor real,
No amor personificado
E no amor espiritual.

O amor ideal virou ilusão,
O amor real causou decepção,
O amor personificado foi ingrato,
E o amor espiritual parece não ter sido alcançado.

Eu acreditei no amor...
Que seria ideal na minha realidade,
E, personificado, seria imagem do espiritual.
Mas, no final, o que restou?
A decepção de uma ingrata ilusão
De não alcançar o amor em que acreditei.

Eu acreditei no amor!

sábado, 19 de abril de 2025

14ª ESTAÇÃO – JESUS É SEPULTADO



“Havia um jardim, no lugar onde ele fora crucificado e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém fora ainda colocado. Ali então, por causa da preparação dos judeus e porque o sepulcro estava próximo, eles depuseram Jesus”. (Jo 19, 41-42)

Realmente parece ser o fim, não há mais saída, ele morreu e o seu projeto falhou. Certamente esse seria o pensamento de alguns discípulos e até mesmo dos apóstolos. Na passagem dos discípulos de emaús (Lc 24, 13-35) percebemos a decepção e tristeza do fracasso vivido por eles. O que fazer agora, o mestre está morto, para onde iremos? Nós também tantas vezes nos decepcionamos e nos entristecemos pelo caminho quando percebemos que nossos projetos e sonhos não se realizam. São muitas as frustrações que vivemos no dia a dia, mas não podemos perder a esperança, algo bom ainda pode acontecer.

O sábado é o dia do silêncio, o Amado está no túmulo, no coração dos seus seguidores resta apenas medo e tristeza, tudo aconteceu tão rápido, por que ninguém impediu que isso acontecesse? Onde estavam aqueles que diziam amar e que daria a própria vida para defender o Senhor? Tantos milagres Jesus realizou em vida, por que não se rebelou contra os romanos e escapou da cruz? As dúvidas estavam corroendo por dentro aqueles que agora estavam trancados por medo de também sofrerem o mesmo fim que Jesus.

Nem tudo estava perdido, Maria a Mãe de Jesus que é a Senhora das Dores, também é a Virgem do Silêncio, não um silêncio passivo, mas esperançoso, talvez ela não compreendesse completamente todo o mistério que estava vivendo, mas acreditava no Projeto de Deus que a escolheu para ser a Mãe do Salvador, ela sabia que o fim não estava na cruz e o silêncio do túmulo ainda haveria algo para revelar. 

O jardim tem um significado místico muito forte no mistério da Redenção, primeiro Jesus foi preso em um jardim - Horto das Oliveiras - onde começa todo o processo de sua condenação, paixão e morte, depois ele é sepultado também em um jardim - onde havia um túmulo novo - isso nos recorda o primeiro jardim no livro do Gênesis, onde o velho Adão abre as portas para o pecado e a morte, agora o novo Adão - Jesus Cristo - novamente em um jardim, abrindo o túmulo para a ressurreição abrirá as portas para Vida eterna em Deus.

A informação de que o túmulo era novo e que ninguém ainda tinha sido sepultado nele tem um valor grandioso para nossa fé, pois isso sustenta que estando ele posteriormente vazio, somente um - Jesus - que tinha sido lá depositado, ressuscitou. Aguardemos vigilantes neste dia o retorno do Senhor, agora o mestre dorme no sepulcro coberto de panos como em outrora dormia envolvido de faixas em uma manjedoura, dorme Bom Jesus, acreditamos que a morte não tem a palavra final e que depois da noite escura de nossa vida, virá o Sol da justiça iluminando nosso dia.  

Oremos por todos aqueles que sofrem com a tristeza e frustração de seus sonhos, para que não percam em Deus a esperança de dias melhores. Que a paixão de nosso Senhor nos ajude a sepultar o pecado, egoísmo, violência, soberba, corrupção, fome, doenças, enfermidades e tantos males que nos acompanham. Confiantes em Deus venceremos a dor e a morte e com Cristo ressurgiremos para uma nova vida. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo. 

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Fonte da imagem: Pin em jesus 

sexta-feira, 18 de abril de 2025

13ª ESTAÇÃO – JESUS É DESCIDO DA CRUZ


“Depois, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente, por medo dos judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus. Pilatos o permitiu. Vieram, então, e retiraram seu corpo. Nicodemos, aquele que anteriormente procurara Jesus a noite, também veio trazendo cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Eles tomaram então o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas que os judeus costumam sepultar”. (Jo 19, 38-40)

  Estamos contemplando o centro da paixão e morte de Jesus. As estações 11ª, 12ª, 13ª, e a 14ª apresentam a grande tragédia que se abate sobre Nosso Senhor, humanamente falando o maior fracasso que poderia acontecer com alguém daquela época. Feito um malfeitor ele foi condenado à morte de cruz. Jesus morre, parece que é o fim. Decido da cruz lá estava sua mãe que chora e recebe em seus braços o corpo de seu filho morto, quanta dor, quanto sofrimento. Nesse momento também devemos lembrar do sofrimento de tantas mães e pais, que também choram ao receber o corpo de seu filho morto, choram pela tragédia e fracasso causados pelas drogas, violência, acidentes e tantos outros males.

O Sacrifício de Jesus começa a produzir frutos, aqueles que tinham medo de professar publicamente a fé no Senhor, agora começam a expor sua devoção pela pessoa do Cristo como discípulos do Divino Mestre. Às vezes também nós temos medo e vergonha de professarmos que somos cristãos, infelizmente o mundo que ridiculariza os seguidores de Jesus às vezes nos preciosa a silenciar nosso testemunho de fé no Nazareno, mas precisamos aprender com José de Arimateia e Nicodemos que não podemos viver nas ocultas da fé, Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida. 

Olhemos também para a Santíssima Virgem Maria, que estando junto a cruz durante toda a Paixão de seu Amado Filho, agora recebe em seus braços o corpo daquele que tanto ama. Jesus todo chagado e morto é depositado no colo de sua Mãe, mesmo confiando em Deus e no cumprimento do seu projeto salvífico, Maria chora e sente seu imaculado coração sangrar como sangrou o coração de Jesus transpassado pela lança do soldado. Imagino a Virgem Maria que com muita delicadeza deve acariciar e limpar as feridas do corpo de Jesus, suas lágrimas são um verdadeiro, puro e santo sacramental da Igreja, não por méritos próprios, mas unidas ao Sangue de Jesus, as lágrimas de Nossa Senhora lava nossa alma dos pecados e cura as feridas do nosso corpo e espírito. 

Por causa do horário, sendo às vésperas do sábado e preparação para a Páscoa, por tradição não puderam preparar com dignidade o corpo de Jesus para a sepultura, mas o envolveram com panos, a unção que neste momento faltou, disse Jesus que foi realizada por Maria irmã de Lázaro em Betânia (Jo 12, 1-11). Neste dia que celebramos a Paixão e Morte de Jesus, além do pedido de perdão pelos nossos pecados, também devemos consolar a Beatíssima Virgem Maria que chora tão grande dor, por receber em seu braços seu Filho morto, inocente Cordeiro que se imolou pela salvação do mundo.

Oremos para que possamos nos consolar mutuamente diante dos sofrimentos causados pelos males deste mundo, e que assim como Maria e o discípulo amado, permaneçamos de pé diante das cruzes de nossa vida. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

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quinta-feira, 17 de abril de 2025

12ª ESTAÇÃO – JESUS MORRE NA CRUZ


“Já era mais ou menos a hora sexta, e houve treva sobre a terra inteira até à hora nona, tendo desaparecido o sol. O véu do Santuário rasgou-se ao meio e Jesus deu um forte grito: “Pai em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso expirou. O centurião, vendo o que havia acontecera, glorificava a Deus dizendo: ‘Realmente, este homem era justo! ’ ” (Lc 23 44-47)

  Contemplamos o “fracasso” de Jesus. Aos olhos humanos parece que ele fracassou, que seu fim foi trágico e terrível e que não há mais esperança. Na hora da dor na cruz Jesus grita ao Pai entregando seu espírito. Essa passagem da paixão de nosso Senhor nos ensina a confiar em Deus também nas tribulações, quando a dor da cruz é insuportável devemos entregar a Deus nosso corpo, alma e espírito, e esperar confiantes que Ele virá em nosso auxílio.

 Misericórdia Senhor Jesus, por causa de nossas fraquezas morrestes na cruz. Misericórdia pelas vezes que não confiamos no teu divino e infinito amor. Misericórdia por sermos tão pecadores. Clamamos pela tua Misericórdia, mas ao mesmo tempo te agradecemos pelo teu Santo Sacrifício que nos abriu novamente as portas do Céu, pelo teu preciosíssimo Sangue que nos lavou de toda impureza e pela tua Cruz que embora fosse sinal de morte, para nós se tornou sinal de vitória e Ressurreição. 

As trevas invadem a terra, essa informação além de característica temporal, tem forte significado. Jesus é a luz de nossa vida, sem Ele nós andamos na escuridão, tendo sido Jesus rejeitado pelo mundo, essa luz nos foi retirada pela morte de cruz e as trevas tomou conta de nossa humanidade. O véu do Santuário rasgado significa a divisão entre o Antigo e Novo Testamento, pelo Sangue de Jesus é selada a nova e eterna Aliança. Precisamos também muitas vezes rasgar os véus do nosso coração, separando o velho homem marcado pelo pecado para a nova pessoa resgatada pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. 

Contemplando a morte de Jesus aprendemos sempre que devemos fazer a vontade do Pai, isso porque Jesus não morreu obrigado, embora tenha vivido momentos de agonia no horto das Oliveiras, mas se submeteu a vontade de Deus e na cruz Ele entrega seu espírito nas mãos do Pai, como diz Santa Teresinha: “É preciso abandonar o futuro nas mãos do Bom Deus…”, Ele quis se oferecer em sacrifício (Is 53, 7) e por isso ninguém tomou sua vida, Ele a entregou livremente (Jo 10, 18).

Vendo Jesus morrer na cruz devemos colocar nossa humanidade pecadora também crucificada com Ele, para que morrendo com Cristo, possamos também com Ele ressurgir para a Vida Eterna. Precisamos fazer a experiência do Centurião, que diante do Mistério da Redenção reconheceu que verdadeiramente Jesus é o Filho de Deus. O Coração de Cristo aberto é para nós um convite, devemos entrar nele para mergulharmos no oceano infinito de misericórdia e na fonte da salvação.

Oremos para que pela paixão e morte de Cristo sejamos lavados de nossas culpas e que por esses santos mistérios possamos confiantes em Deus alcançar a glória da ressurreição. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

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quarta-feira, 16 de abril de 2025

11ª ESTAÇÃO – JESUS É CRUCIFICADO


“Chegando ao lugar chamado Caveira, lá o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: “Pai perdoa-lhes: não sabem o que fazem”. Depois, repartindo suas vestes, sorteavam-nas.” (Lc 23, 33-34)
 

Contemplamos agora Nosso Senhor que é pregado na Cruz, que agonia sofreu Jesus. Como cordeiro Ele vai em silêncio para o matadouro, sem piedade seus algozes cravaram os pregos em suas sagradas mãos e pés. Piedade Senhor! Piedade! Ainda hoje não sabemos o que fazemos, não temos consciência das tantas ofensas que vos causamos quando preferimos as futilidades do mundo e desprezamos o que é sagrado. Perdoa-nos Senhor, pois tantas vezes não sabemos fazer o bem, tantas vezes não agimos como cristãos, tantas vezes desprezamos nossos irmãos e irmãs, e tantas vezes rejeitamos o que a Santa Mãe Igreja nos ensina.

Tendo os pés e as mãos cravados pretentendia-se que o condenado morresse lentamente, os algozes tinham sede pelo sofrimento. Toda sua vida, mas sobretudo na cruz, todos os gestos e palavras de Jesus eram de amor. Nosso Senhor abre seus braços para a humanidade inteira em um gesto sacerdotal de entrega e como quem abençoa o mundo inteiro. 

Jesus é crucificado com mais dois ladrões, em sua condenação Ele é equiparado àqueles que a sociedade despreza por causa de suas condutas imorais e desonestas, no entanto, o terrível suplício de Jesus na cruz nos ensina o quão horrendo é nosso pecado, ao ponto de Deus oferecer tamanho sacrifício pela expiação dos nossos erros.   

O sacrifício de Jesus tem como finalidade religar a humanidade pecadora com Deus, ou seja, perdoar nossos pecados para entrarmos no santuário definitivamente.  Nosso Senhor pede ao Pai que nos perdoe e justifica a necessidade do perdão, não sabemos o que fazemos. De fato, tantas vezes iludidos pelas falsas graças deste mundo nos enganamos e não sabemos o quanto ofendemos a Deus com nossas ações, mas Jesus Sumo e eterno Sacerdote, nos lava com seu preciosíssimo sangue, como outrora era oferecido o sangue de animais em expiação dos pecados do povo. 

Jesus nos ensina a perdoar, mesmo quando estamos todo chagado e ferido por causa das ações dos outros, somos convidados a perdoar. Recordo o martírio de Santo Estêvão (Atos 7,60), seguindo o exemplo do seu do Divino Mestre, entregou sua vida ao Pai e perdoou aqueles que atentaram contra a sua existência.  


Oremos para que alcancemos de Deus o perdão dos nossos pecados, e que sua dolorosa paixão, sejamos redimidos de nossas fraquezas humanas que nos afastam do divino.  Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

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terça-feira, 15 de abril de 2025

10ª ESTAÇÃO – JESUS É DESPIDO DAS VESTES

“Os soldados, quando crucificaram Jesus, tomaram suas roupas e repartiram em quatro partes, uma para cada soldado, e a túnica. Disseram entre si: “Não a rasguemos, mas tiremos a sorte, para ver com quem ficará. ” Isso a fim de se cumprir a escritura que diz: Repartiram entre si minhas roupas e sortearam minha veste. Foi o que fizeram os soldados. ” (Jo 19, 23-24)

  Era costume que os condenados à morte de cruz fossem pregados sem roupa. Não bastava toda a humilhação física e social sofrida por Jesus, mas ainda deveria sofrer uma grande humilhação moral. Tirar as vestes significa permitir que o outro veja o nosso íntimo. Nosso Senhor se entrega de corpo e alma para o sacrifício da cruz e por isso permite que até suas intimidades sejam expostas.  Muitos irmãos e irmãs sofrem por terem suas intimidades físicas e sentimentais violadas. A prostituição, pornografia, abusos sexuais de crianças, mulheres e pessoas vulneráveis são uma profunda ferida no corpo de Cristo, precisamos lançar um olhar de misericórdia para aqueles que ainda hoje são despidos de sua dignidade e seus direitos.

No sacrifício redentor Jesus se entrega totalmente, até as suas vestes são tiradas, nada fica para si, tudo é tomado e entregue por amor. Desnudar-se também significa mostrar-se sem véus, sem máscaras, verdadeiramente como somos. Nesta estação também somos convidados a refletir como é nossa relação com Deus e com os irmãos, como nos apresentamos para o Senhor e com aqueles que convivemos.

Para Deus nada é escondido (Lc 12, 2-3; Hb 4,13), Ele que tudo sabe nunca é enganado, mas é do seu agrado que nos apresentemos diante dele sem falsidade, pois o Senhor ama o coração sincero (Sl 51, 6). Também devemos ser transparentes e sinceros uns com os outros (Lv 19, 11-13), desnudar-se é mostrar nosso coração sincero para o Coração misericordioso de Deus e os corações dos irmãos.

Tantas vezes necessitamos viver esse despir-se das nossas máscaras e fantasias, precisamos arrancar as nossas aparências e mostrar-nos tais como somos, precisamos arrancar “as vestes” da hipocrisia para nos revestirmos de Cristo (Rm 3,14), tirar as vestes do pecado para nos revestirmos do homem novo (Ef 4,24), jogar fora todo sentimento mal para nos revestirmos de benignidade, mansidão, humildade e longanimidade (Cl 3, 12), os mesmos sentimentos do Coração de Jesus. 

Oremos para que contemplando o Servo Sofredor, saibamos que também devemos nos unir a dor daqueles que têm os seus direitos violados. Peçamos de modo especial pelas vítimas de abusos sexuais e por aqueles que a miséria humana não lhes proporciona roupa, comida e moradia dignas para viverem. Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo. 

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Fonte da imagem: Pin em aaaa 


“EIS O CORDEIRO DE DEUS, QUE TIRA O PECADO DO MUNDO”

  Ecce Agnus Dei, qui tollis peccata mundi   - “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Essa frase é muito conhecida pelos cri...