Este
trecho da oração da paz, no rito da Comunhão na Liturgia Eucarística, possui um
profundo significado para a vida cristã. Muitas vezes, somos surpreendidos e
até nos indignamos com os pecados dos cristãos, como se estes fossem máquinas
perfeitas de plenitude. No entanto, ser cristão é buscar configurar-se a
Cristo; porém, embora lavados do pecado original pelo Batismo (cf. Rm 6,3-4),
ainda carregamos em nós a inclinação para o mal (cf. Gl 5,17), o que exige uma
constante busca de conversão (cf. Mc 1,15).
Pedimos
ao Senhor que leve em consideração a fé e a intenção da comunidade eclesial,
pois sabemos que nós, ministros e leigos, somos indignos das graças divinas por
nossos próprios méritos (cf. Rm 3,23). Como diz o salmista: “Se levardes em
conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá subsistir?” (Sl 130,3).
Os
pecados dos ministros da Igreja podem até nos escandalizar (cf. Mt 18,7), mas
não devemos esquecer que são homens e mulheres feitos do barro (cf. Gn 2,7),
que todos os dias precisam aprender a deixar-se moldar pelas mãos do Senhor
(cf. Jr 18,6).
Por
misericórdia divina, a eficácia dos sacramentos e das bênçãos concedidas pela
Igreja não depende da santidade pessoal do ministro (cf. 2Tm 2,13), pois ele
não age em seu próprio nome, mas é o próprio Cristo quem realiza a obra por
meio dele (cf. Jo 15,5). O Papa Bento XVI, de saudosa memória, no dia de sua
eleição, afirmou: “Consola-me saber que Deus sabe trabalhar e agir também com
instrumentos insuficientes.” De fato, somos apenas instrumentos frágeis nas
mãos de Deus (cf. 2Cor 4,7); é Ele quem realiza a obra, e nós, apesar de nossas
limitações, colaboramos com o seu projeto (cf. 1Cor 3,9).
Quando
soubermos que um religioso caiu, lembremo-nos da Palavra: “Quem nunca pecou,
atire a primeira pedra” (Jo 8,7) e “quem está de pé, cuide para não cair” (1Cor
10,12). Em vez de julgar (cf. Mt 7,1), rezemos (cf. 1Ts 5,17). Rezemos para que
o Senhor envie mais operários para a sua messe (cf. Mt 9,38), mas também para
que os santifique (cf. Jo 17,17), pois aqueles que foram chamados não são
semideuses nem super-heróis. São pessoas limitadas que se colocaram a serviço
de um amor maior e que, como qualquer outra, também podem se perder no caminho
(cf. Lc 15,4).
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